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NOTÍCIAS
Novembro Azul: câncer de próstata é o segundo que mais mata os homens, atrás somente do de pulmão
Doença mais comum àqueles que já passaram dos 50 anos, tem como principal cuidado o acompanhamento
Alto-astral, esportista, atento com a alimentação e em cultivar bons pensamentos. Brincalhão, com boas tiradas, o construtor aposentado José Gonçalves da Silva Mendes, de 82 anos, é dessas pessoas de bem com vida e que exala sabedoria diante dos obstáculos que se apresentam. Ele faz parte do grupo que sabe lidar com o estresse e não deixa a angústia ou o desânimo colocá-lo pra baixo. Há pouco mais de dois anos, ele teve diagnóstico de câncer de próstata e encarou 37 aplicações de radioterapia para vencer a doença. Mesmo para os fortes, confessa, foi um susto e tanto. “Na realidade, vacilei. Para não dizer que errei ao não fazer os exames necessários. Só fui fazer o toque retal depois dos 80, com anos de atraso, mesmo com a família insistindo. O resultado foi que já estava num estágio grave, no penúltimo grau. Foi um choque.” 

Choque que deu a ele força para lutar contra uma das doenças mais temidas. “Consultei-me com dois urologistas oncólogos, excelentes, e fiz meu tratamento pelo SUS, no Hospital Luxemburgo. Tive atendimento espetacular, fui incrivelmente bem cuidado. Fiquei mesmo foi impressionado com a quantidade de pacientes com câncer de próstata que chegavam por lá. Resisti bem ao tratamento e agora estou na contagem dos cinco anos, quando poderei dizer que estou livre da doença. Acredito também que praticar esportes desde cedo me ajudou muito. Jogo tênis, peteca, xadrez, buraco... pedra!”, brinca seu José.

A reação positiva ao tratamento ocorreu ainda porque ele tem boa saúde, não tinha nenhum outro problema. “Sem dúvida, isso me ajudou muito. E acredito que o fato de não ter omitido o câncer, de ter falado para a família, aberto o assunto, também contribuiu. Não me incomoda tocar no assunto, até para alertar as outras pessoas. O grande risco é não fazer os exames, tanto o toque retal quanto o controle do PSA. De preferência, anual. Na época em que descobri a doença, o meu PSA era 11, hoje está menos de um. É preciso vigiar. Não sou o típico homem com medo de médico, no entanto, por ser assintomático - não sentia nada, nenhuma dor -, acabei me descuidando. Temos de dar atenção ao nosso corpo”, aconselha. 

Recuperado, na ativa e com o corpo em movimento, seu José recomenda que todos os homens “tomem cuidado com a alimentação, que deve ser balanceada, ingiram pouca gordura, bebam muita água, façam exercícios e consultas periódicas ao urologista, porque a especialidade faz parte do checape. Não mudei minha rotina, faço as mesmas coisas de antes, acrescentei um brócolis aqui, um aspargo acolá, sucos naturais – o de maracujá é ótimo –, e nada de estresse ou angústia”. 

José Gonçalves é um personagem de alerta para todos os homens, ainda mais neste mês, quando, desde o dia 1º, para orientar a população, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) começou mais uma edição do Novembro Azul. A campanha deste ano vai contar com palestras, ações de esclarecimento nas ruas com o Dr. Prost (personagem criado pela SBU para esclarecer ao público leigo sobre as doenças da próstata), live nas redes sociais, veiculação de mídias em transporte público e material informativo no site oficial da entidade: www.portaldaurologia.org.br/novembroazul.

No dia 20, representantes da SBU participam do 11º Fórum de Políticas Públicas e Saúde do Homem, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento ocorre todos os anos, por sugestão da entidade, para discussão da saúde do homem. O tema deste ano é “A saúde do homem do campo”. 

A campanha, adotada no mundo todo, nasceu em 2003, na Austrália, ligada ao Dia Mundial de Enfrentamento ao Câncer de Próstata, em 17 de novembro, e ao Dia Internacional do Homem, celebrado no dia 19. Dessa forma, houve grande adesão, fazendo do mês a principal época de alerta e estímulo à prevenção do câncer de próstata. 

MATA 

O câncer de próstata é o segundo que mais mata os homens. Conforme o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), para o Brasil, estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens. Ele é considerado câncer da terceira idade, já que cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. 
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O Inca tem uma cartilha com o beabá do câncer de próstata que, por meio de informação segura, ajuda na quebra do medo, preconceito e desconhecimento, que são barreiras que impedem os homens de cuidar melhor da saúde. Câncer de próstata: vamos falar sobre isso? está disponível para que todos tenham orientação correta em mãos e um alerta para que cada homem se dirija a um médico, em caso de suspeita ou dúvida. O câncer de próstata, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida. O risco aumenta com a idade. No Brasil, a cada 10 homens diagnosticados com a doença, nove têm mais de 55 anos. No entanto, há tumores que podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte.

A reportagem conversou também com médicos e especialistas, que alertam sobre o risco de se descuidar da saúde. Avisam para não esperar os sinais para tomar uma atitude. Eles podem não vir e a doença só ser descoberta em grau avançado. Se você faz parte do grupo de risco, fique atento, e aja. 

Quebrar barreiras 
Consulta ao urologista uma vez ao ano deve fazer parte dos cuidados com a saúde do homem. É preciso entender que prevenir é a melhor escolha contra o risco real do câncer de próstata 

“Um a cada seis homens vai ter câncer de próstata.” A afirmação em tom de alerta é do urologista Arnaldo Fazoli, do Conselho Científico do Instituto Oncoguia e do Grupo de Próstata do Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). “O paciente tem que entender que o mais importante é evitar problemas futuros. Homens são imediatistas, costumam pensar frente ao problema e resolvê-lo. Caso ele não exista ou não tenha dado sinais de existir (ainda não o descobriu porque não apresentou nenhum sintoma ou não foi fazer os exames de rotina para descobri-lo), não têm por que se movimentar. Ou seja, não vão ao médico e ficam em estado latente.” 

O número revelado acima por Arnaldo Fazoli é mais do que um chamariz, é um aviso para que o homem se preocupe, e muito, com o risco de virar estatística. “É nele que nos baseamos para que o homem preste atenção na sua saúde. Muitos pacientes me dizem: ‘Preocupo-me com a saúde, mas como não sinto nada...’. Aí está o risco, já que, se forem esperar sentir algo para procurar um médico, pode ser tarde demais.” Parece óbvio, mas a maioria continua negligenciando. No entanto, é cada vez mais raro o homem fugir do médico ou só ser levado por uma mulher. Ele está mudando. “Nos últimos anos, muitos homens estão percebendo que só há vantagens em fazer os exames preventivos, de rastreamento e o diagnóstico precoce.” 

Apesar da alta incidência, Arnaldo Fazoli enfatiza que 90% dos casos diagnosticados em fase inicial têm cura. “Tanto se fala sobre o câncer, a cura já chegou ao de próstata. Mas, desde que o diagnóstico e o tratamento ocorram em fase inicial.” O bom é que a informação tem despertado o sexo masculino, principalmente iniciativas como a do Novembro Azul. “A campanha atinge um número de pacientes cada vez maior e todos saem ganhando. O importante é que falem sobre o assunto e saibam da real necessidade de ir a um urologista ao menos uma vez ao ano.” 

Ao falar em próstata, o sinal vermelho acende para os homens quando pensam no temido exame de toque retal (agora chamado de toque prostático). “É o exame físico para detectar algum nódulo, já que, às vezes, a informação de risco do câncer de próstata não estará clara nos exames de sangue ou de imagem (como o ultrassom e a ressonância magnética). O homem pode ou não fazer. Não é obrigatório, mas, ao escolher não, deixará de fazer um diagnóstico que pode ter cura.” 

É preciso deixar de lado o preconceito, que não é só antigo, mas inconcebível se pensarmos na saúde, no bem-estar físico e emocional. “Já passou da hora de o homem quebrar essa barreira com o urologista. Ele não deve ter medo, já que, consultá-lo, significa evitar problema futuro. Nada de ter vergonha, se preciso, nada de contar aos amigos e ter de lidar com brincadeiras. Ninguém tem de saber. O fundamental é se conscientizar do valor de uma vida saudável, que requer prevenção.” 

Novo medicamento, nova esperança 
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar medicamento para pacientes com câncer de próstata. A apalutamida é um inibidor do receptor de andrógeno, indicado em combinação com terapia de deprivação androgênica (ADT), para postergar o aparecimento de metástase naqueles pacientes que já fizeram o tratamento localizado, receberam ADT e, ainda assim, apresentam aumento do PSA (marcador sanguíneo). O novo medicamento demonstrou diminuir em 72% o risco de progressão para metástase ou de morte e proporcionou 40,5 meses de sobrevida livre de metástase (mediana), o que representa um ganho de dois anos quando comparado ao placebo (16,2 meses). “Esse medicamento representa grande avanço para uma situação grave do câncer de próstata que já falhou ao tratamento hormonal. A apalutamida possibilita postergar o aparecimento da metástase, que é justamente a parte mais temida da doença, e adia também os efeitos secundários desse processo, impactando positivamente na qualidade de vida do paciente”, destacou Fernando Maluf, oncologista clínico e diretor médico do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. “O Brasil é o quinto país a receber a aprovação de apalutamida”, disse Telma Santos, diretora médica da Janssen Brasil. Agora, o produto passará por processo de aprovação de preço na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). 

Informação é tudo
Médicos alertam sobre a necessidade de incluir o urologista na lista do checape anual que todo homem deve fazer. Tratamento está avançado e a cura é de 90% com diagnóstico inicial

Todo homem acima dos 50 anos deve fazer o exame prostático anual. A indicação é da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), segundo o urologista Francisco F. Horta Bretas, coordenador do serviço de urologia da Rede Mater Dei de Saúde. “O câncer de pulmão é o tumor que mais mata no homem, o segundo é o de próstata”, alerta. 

Pela gravidade do problema, Francisco Bretas destaca a importância de campanhas como a do Novembro Azul, para informar a população. “Acredito que o nível de conhecimento e alerta sobre a doença seja maior nas cidades de médio e grande portes, que têm mais facilidade de acesso a informações, maior acesso aos especialistas e, por causa disso, eles procuram realizar exames periódicos. Se considerarmos, no entanto, todas as regiões do Brasil, incluindo as zonas rurais e pequenas comunidades, infelizmente, não enxergo a mesma preocupação presente em toda a população. Ainda existe certa resistência, fruto, em maior parte, do preconceito e da desinformação.” Mas o médico ressalta que a campanha, por ser mundial, é muito importante ser bem conduzida no país, já que o câncer de próstata é o segundo em letalidade e o mais comum no homem. 

Francisco Bretas destaca que a Rede Mater Dei de Saúde também estará engajada na luta contra essa doença. “Como é uma campanha encabeçada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), realizam-se mutirões no país, e nós, do Mater Dei, vamos, em um fim de semana, examinar os pacientes que nos procurarem, numa ação que temos repetido ao longo dos anos (a data ainda será anunciada).” 

Além dos exames mais comuns utilizados no diagnóstico, como o PSA (exame de sangue) e toque retal (exame físico da próstata), Francisco Bretas chama a atenção para a ressonância multiparamétrica da próstata. “É um exame moderno. Com ele, podemos identificar mesmo os tumores não palpáveis. É uma ressonância diferenciada. Ainda não está disponível no SUS, mas é coberta por todos os planos de saúde.” Ele destaca também a existência de painéis de marcadores biomoleculares para câncer de próstata, indicados para pessoas com parentes próximos que tenham tido a doença (exame parecido foi feito pela atriz Angelina Jolie, específico para o câncer de mama, quando ela descobriu alta probabilidade de vir a desenvolver a doença e optou por realizar a remoção das mamas). 

O urologista avisa: “Não há como prevenir o câncer de próstata, mas sim fazer o diagnóstico precoce”. Daí ser fundamental acompanhar sua saúde como um todo, ainda que o corpo não dê sinais de algo errado. Francisco Bretas lembra que, com o envelhecimento da população brasileira, o número de casos tende a aumentar: “O câncer de próstata, em geral, acomete homens acima dos 50 anos. Com o brasileiro vivendo mais, e com métodos de diagnóstico mais apropriados, resultado dos avanços tecnológicos, é compreensível o aumento da curva de prevalência”, diz. 

CURA 

O câncer de próstata tem alto índice de cura, principalmente se descoberto na fase inicial. Francisco Bretas enfatiza três fatores principais que propiciam a cura: “As chances serão maiores se o PSA for abaixo de 10, se o tumor não tiver células muito agressivas e, por último, se a lesão estiver restrita à cápsula de próstata (confinada dentro da glândula). Com esse quadro, o paciente tem grande possibilidade de cura. Esses três fatores, em geral, ocorrem em quem faz o controle prostático regular.” 

O urologista lembra, ainda, que o tratamento curativo é feito apenas para homens que tenham acima de 10 anos de perspectiva de vida. Nos casos de tumor localizado, pode ser feita a cirurgia convencional, a laparoscópica ou a robótica, que tem recuperação mais rápida. Quando realizada por um cirurgião bem treinado, o médico destaca, haverá pequeno risco de incontinência urinária e disfunção erétil. “Além da cirurgia, a radioterapia também pode ser utilizada nos casos iniciais. Nos casos mais avançados, com metástases, realiza-se, em geral, o bloqueio hormonal, e existem hoje medicações modernas, chamados bloqueadores hormonais de terceira geração, disponíveis e aprovados no país, com excelentes resultados.” Francisco Bretas ressalta que “os homens acima de 80 anos, que tenham características favoráveis da próstata (PSA e toque retal normais, sem sintomas), talvez não precisassem mais fazer o controle prostático.”
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Remoção total da próstata

Para o urologista Arnaldo Fazoli, do Conselho Científico do Instituto Oncoguia e do Grupo de Próstata do Instituto do Câncer de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp), ligado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), o melhor tratamento na fase inicial da doença, quando ela ainda está localizada, é a cirurgia de prostatectomia radical, em que a próstata é totalmente removida e pode ser feita via robótica. Outra alternativa é a radioterapia. “A cirurgia robótica está na rede privada e, com algumas exceções, no sistema público. No Icesp temos o Da Vinci (robô), mas, por ser de custo elevado por procedimento, ainda está em fase de estudo a viabilidade no serviço público de saúde. Com o robô, participo de mais de cinco cirurgias por semana no serviço privado.” 

Além da carga preconceituosa, Arnaldo Fazoli conta que o homem também lida com possíveis efeitos colaterais causados pelo tratamento. “Como a próstata fica próxima a órgãos nobres, estes podem ser lesados. Então, há dois riscos principais: incontinência urinária e impotência sexual. Com a cirurgia robótica, praticamente foi eliminada a incontinência. Já a impotência depende do quadro de saúde do paciente e do grau de estágio do câncer.” 

RASTREAMENTO 

Vale registrar que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda a consulta com o urologista para definir individualmente o rastreamento do câncer de próstata, tendo em vista que o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não o recomendam. Arnaldo Fazoli explica que a orientação é “porque o câncer de próstata tem comportamento diferente quanto ao grau de agressividade do tumor. Tem o indolente, com crescimento lento e pouco agressivo, quando o paciente não precisa ser operado, só acompanhado. E o mais agressivo, que dá metástase nos ossos, insuficiência renal e torna a vida muito ruim. Se for o indolente, fazemos um tratamento de vigilância ativa, ou seja, acompanhamos a evolução do tumor. Mas lembrem-se de que não mapear não é não acompanhar”, avisa. 

Exames investigativos 

» Toque prostático: o médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo, protegido por uma luva lubrificada, no reto. Esse exame permite palpar as partes posterior e lateral da próstata e detectar algum nódulo 

» PSA: exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata - antígeno prostático específico (PSA). Níveis altos dessa proteína podem significar câncer, mas também doenças benignas da próstata 

» Biópsia: para confirmar a doença é preciso fazer biópsia. Nesse exame são retirados pedaços muito pequenos da próstata, para serem analisados em laboratório. Ela é indicada caso seja encontrada alguma alteração no exame de PSA ou no toque retal. 

Fonte: American Cancer Society 

Números de casos 

» Brasil: estimam-se 68.220 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens 

» Sudeste: estimam-se 30.080 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 69,83 casos novos a cada 100 mil homens 

» Minas Gerais: estimam-se 6.730 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 63,80 casos novos a cada 100 mil homens 

» Belo Horizonte: estimam-se 980 casos novos de câncer de próstata para cada ano do biênio 2018-2019. Esses valores correspondem a um risco estimado de 81,20 casos novos a cada 100 mil homens 

Fonte: Inca 

Consultas gratuitas 

Com o objetivo de disponibilizar assistência médica e exames para diagnóstico precoce de câncer de mama e de próstata, para pessoas que não têm plano de saúde, a Rede Mater Dei de Saúde, por meio da campanha “Mater Dei na luta contra o câncer”, oferece 200 consultas oncológicas gratuitas. A ação ocorrerá no dia 25, das 8h às 17h, no Hospital Integrado do Câncer (HIC) Mater Dei, na Rua Uberaba, 900 - Belo Horizonte. Serão 100 consultas para mulheres com idade igual ou superior a 40 anos e 100 consultas para homens com idade igual ou superior a 50 anos. Em sua oitava edição, a campanha, que celebra o Dia Nacional de Combate ao Câncer, conta com a participação voluntária das equipes da mastologia, mamografia, oncologia, urologia, anatomia patológica e ultrassonografia, além das equipes de apoio da Rede. Os participantes poderão se consultar com especialistas do HIC, além de fazer, de forma gratuita, exames de diagnóstico do câncer. Serão disponibilizados exames básicos, sendo a mamografia para mulheres, e, para os homens, o PSA (antígeno prostático específico total e livre) e o exame clínico de toque retal. Caso seja necessário, os pacientes terão direito a consultas de retorno e realização de exames complementares, como ultrassonografia e biópsia para ambos os sexos. No dia da ação, também haverá o “Tira-dúvidas”, um bate-papo com os especialistas do hospital para que as pessoas possam esclarecer vários aspectos e mitos sobre o câncer. 

Inscrições: podem ser feitas a partir de terça-feira (6), somente pelos telefones (31) 3339-9137 e (31) 3339-9129 (setor de comunicação e marketing da rede), das 8h às 18h. As vagas são limitadas e estarão abertas até se esgotarem. Para participar é imprescindível atender às exigências de idade e não ser usuário de convênio médico. Para a inscrição é necessário informar nome completo, data de nascimento, CPF, telefone de contato e endereço. Cada pessoa poderá fazer somente uma inscrição por ligação. 

Atenção com a hereditariedade 
Risco de ter esse tipo de tumor aumenta se o paciente tiver parentes de primeiro grau com o diagnóstico de câncer, além de algumas alterações genéticas 

“Ter parentes de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata aumenta o risco de ter esse tipo de tumor. Podemos citar, como exemplo, estudo conduzido na Suécia, que mostrou que, aos 75 anos, o risco de a população sueca em geral ter um câncer de próstata é de 12,9%, e o risco de um câncer agressivo é de 5,2%. Para homens com um irmão afetado, o risco de qualquer câncer de próstata é de 30,3%, e de 8,9% para um câncer agressivo. Além disso, algumas alterações genéticas, como a mutação do gene BRCA2, aumentam o risco de ter esse tipo de tumor”, alerta o oncologista Volney Soares Lima, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
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Volney Soares Lima alerta que os principais sintomas do câncer de próstata “são dificuldade para urinar, alteração no jato da urina e alteração no hábito urinário (como, por exemplo, acordar várias vezes à noite para urinar). Esses sintomas não ocorrem somente no câncer de próstata, podendo ocorrer também na prostatite e na hiperplasia prostática benigna, por exemplo. No tumor de testículo, normalmente ocorre aumento, e geralmente indolor, de um testículo. Já o câncer de pênis normalmente se manifesta como uma ferida ou úlcera na glande, prepúcio ou corpo do pênis”. 

Volney Soares Lima lembra que muito se fala que o homem é negligente nos cuidados com sua saúde. Para ele, tudo por preconceito, medo ou por se acharem super-heróis. “Sem dúvida. Por isso, é importante ressaltar que o diagnóstico precoce reduz o número de tratamentos e os gastos com saúde da sociedade como um todo. Pesquisa recente, realizada pela SBOC, mostrou que, no Brasil, número significativo de homens (39%) e mulheres (10%) não faz nenhum exame preventivo. Desse total, uma pessoa em cada cinco (20%) não procura fazer exames por não achá-los importantes. São pessoas que acham que nunca ocorrerá com elas.” 

TECNOLOGIA 

O oncologista reforça que, este ano, “estima-se que teremos cerca de 68 mil novos casos de câncer de próstata. É o tipo de câncer mais comum entre os homens (excluindo os tumores de pele). Para se ter uma ideia comparativa, neste ano, também estima-se que a incidência do câncer de mama nas mulheres seja de 60 mil casos.” Quanto aos avanços do tratamento, Volney Soares Lima afirma que a oncologia não para de evoluir: “Sempre temos avanços contra o câncer. Como exemplo, a cirurgia robótica, modalidade de tratamento cirúrgico associada a bons resultados e melhor recuperação no pós-operatório. Em termos de medicamentos, temos a abiraterona e a enzalutamida, drogas hormonais que aumentaram a sobrevida dos pacientes com câncer de próstata e são agora usadas em várias fases da doença. Temos também o Radium-223, radiofármaco que reduz a dor óssea e aumenta o tempo de vida dos pacientes com câncer de próstata e metástase óssea”. Ele avisa que “mesmo quando alguns pacientes não são curados, muitos homens conseguem conviver com a doença por muitos anos”. 

Fique atento aos principais fatores de risco... 

- Idade: o risco aumenta com o avançar da idade. No Brasil, a cada 10 homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos 

- Histórico familiar: homens cujo pai ou irmão ou tio tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos 

- Raça: homens negros 

… e aos sintomas 

- Urinar com frequência e pouco de cada vez (ir ao banheiro várias vezes à noite) 

- Dificuldade para urinar (jato urinário fraco) 

- Presença de sangue na urina ou no sêmen 

- No caso de metástase, dores ósseas e sensação de fraqueza 

Fonte: American Cancer Society 

Material educativo sobre a saúde do homem 

[Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 2/10/18]
A prática de exercícios físicos é uma das maneiras de se prevenir desta e de várias doenças (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 2/10/18)
Atenta à saúde do homem, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência de Políticas de Atenção Primária à Saúde, está elaborando diversos materiais educativos destinados à promoção e prevenção, como fôlderes e cartazes, que serão distribuídos para todos os municípios do estado. 

Cynthia de Lima, referência técnica da coordenação de alta complexidade da SES-MG, destaca que o material abordará temas essenciais, como alimentação saudável, prática de atividade física, tabagismo, consumo de álcool, prevenção do câncer, diálogo como forma de prevenção de violências e incentivo à procura dos serviços de saúde. Haverá, ainda, suporte de informação via mídias digitais, como redes sociais e página do órgão na internet. 

Cynthia de Lima conta que as campanhas alusivas à saúde do homem têm se baseado na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), com o objetivo de ofertar ações e serviços para a população masculina, com integralidade e equidade, primando pela humanização da atenção. “As ações abordam eixos temáticos, como acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes na população masculina e prevenção de violências e acidentes. 

No âmbito da atenção primária, tem sido dada ênfase às ações de promoção de hábitos de vida saudáveis, aos sintomas de alerta para os cânceres de próstata, testículo e pênis e à importância de procurar as unidades básicas de saúde para fazer o diagnóstico precoce e dar o encaminhamento para outros pontos da rede, a fim de que o tratamento do câncer se inicie o mais rápido possível. Ao longo do tratamento e após a alta, os pacientes são acompanhados pelas equipes de atenção básica/equipes de saúde da família e, caso necessário, pelos profissionais do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF-AB).” 

Conforme Cynthia de Lima, os tratamentos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Minas são a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. “Para diagnóstico dos casos de câncer de próstata é indicada a ultrassonografia pélvica ou prostática transretal, que são ofertadas pelo SUS.” Em relação ao tratamento e acompanhamento, ela afirma que Minas Gerais tem a Rede de Atenção Oncológica, em que há 37 hospitais habilitados para prestar os serviços necessários, de forma a garantir a integralidade do cuidado com o paciente oncológico. “A SES-MG tem desenvolvido a proposta de reestruturação da rede de atenção à oncologia no estado, visando à reorganização dos fluxos de encaminhamento dos usuários na rede SUS-MG e o início de tratamento em tempo hábil.” 

Cynthia de Lima explica, ainda, que a Deliberação CIB-SUS/MG 2.144, de 15 de julho de 2015, aprovou o diagnóstico e as diretrizes para o Plano de Ação da Rede de Atenção em Oncologia para Minas Gerais. “A rede de atenção oncológica objetiva definir territórios para tratamento, reduzir a incidência e a mortalidade por câncer e garantir qualidade de vida aos pacientes. Esse plano está em fase de revisão, com o envolvimento de todas as áreas da SES envolvidas.” Sobre a cirurgia robótica, ela informa que “há cinco robôs no Brasil, em hospitais públicos, fazendo procedimentos oncológicos, mas ainda não há códigos na tabela SUS para os procedimentos.” 

MINAS 

Segundo Berenice Navarro Antoniazzi, coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer da SES-MG, a mortalidade estadual por neoplasia da próstata, em 2017, correspondeu a 1.348 óbitos no sexo masculino e taxa bruta de mortalidade de 12,99 óbitos por 100 mil homens mineiros. “As taxas brutas de mortalidade mais elevadas foram das macrorregiões de saúde do Sudeste (16,58), Sul (15,22), Leste (13,62) e Nordeste (13,57) por 100 mil homens.” Para o ano 2018, ela diz que o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) estima a ocorrência de 6.730 casos novos de câncer da próstata na população masculina de MG, com a taxa bruta estimada de incidência de 63,80 casos novos por 100 mil homens. 

Rastrear e mapear 

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) divulgou nota a respeito do rastreamento do câncer de próstata, tema controverso. Segundo a entidade, apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes morrem. Atualmente, cerca de 20% ainda são diagnosticados em estágios avançados, embora um declínio importante tenha ocorrido nas últimas décadas, em decorrência de políticas de rastreamento e maior conscientização. O rastreamento universal de toda a população masculina (sem considerar idade, raça e história familiar) apresenta controvérsias, pois pode diagnosticar, entre outros, câncer de próstata de baixa agressividade, que não necessita de tratamento, cujos pacientes são submetidos a biópsias, que têm potencial de complicações (infecção local), e, eventualmente, tratamentos radicais com potencial impacto na qualidade de vida. Individualizar a abordagem é fundamental nesse sentido. A identificação de pacientes com risco de desenvolver a doença de forma mais agressiva, por meio de parâmetros clínicos ou laboratoriais, pode ajudar a individualizar a indicação e frequência do rastreamento. Como esperado, as consequências da equivocada resolução da U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF, EUA, 2011), contrária ao rastreamento sistemático, começam a aparecer. Trabalho apresentado no “2015 Genitourinary Cancers Symposium” provocou ainda mais discussão sobre o tema e reforçou o papel do rastreamento. Foram avaliados, retrospectivamente, 87.562 novos casos diagnosticados entre 2003 e 2013, em 150 instituições nos EUA. Demonstrou-se que, após a recomendação da U.S. Preventive Services Task Force, houve aumento de 3% ao ano no diagnóstico de tumores de risco intermediário e de alto risco. A SBU mantém sua recomendação de que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado, para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deve ocorrer depois de ampla discussão de riscos e potenciais benefícios. Após os 75 anos, poderá ser feito apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.
Fonte: www.em.com.br - Lilian Monteiro - 05 de Novembro de 2018
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