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Violência contra mulheres na internet triplica em Minas
Foram mais de 1,8 mil violações nos cinco primeiros meses deste ano
Ameaças, cyberstalking, criação de perfis falsos, divulgação de imagens íntimas e uso de Inteligência Artificial para produzir deep fakes. As denúncias sobre atos de violência contra mulheres, praticados no ambiente digital, triplicaram em Minas. É o que mostram dados divulgados pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher).
Foram 1.845 violações nos cinco primeiros meses deste ano, contra 602 de janeiro a maio de 2025. O salto de 206,4% coloca o Estado na terceira posição, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. No país, os registros de violência digital recebidos pelo Ligue 180 passaram de 5.795 para 16.725 na comparação entre o mesmo período.
Segundo o Ministério das Mulheres, o termo “violação” corresponde aos registros de violência relatados em uma denúncia, o que significa que uma mesma vítima pode informar mais de uma conduta praticada pelo agressor.
Especialista em Direito Digital, a advogada mineira Luana Mendes Fonseca de Faria avalia que o crescimento é resultado de dois fatores: a intensificação da violência contra mulheres nas plataformas digitais e a maior conscientização das vítimas.
“Hoje, a violência de gênero também acontece nas redes sociais, nos aplicativos de mensagens e até em jogos on-line. Muitas mulheres relatam ameaças, humilhações e perseguições durante partidas on-line. Ao mesmo tempo, mais mulheres passaram a identificar essas situações como violência e deixaram de tratá-las apenas como uma briga na internet”, afirma.
Segundo ela, o ambiente virtual passou a reproduzir práticas que antes ocorriam apenas presencialmente. “O agressor não precisa mais estar fisicamente perto da vítima para controlar, ameaçar ou constranger. A vida pessoal, profissional e afetiva acontece cada vez mais no meio digital, e isso ampliou os espaços onde essa violência pode ocorrer”.
Como agir
Ao identificar uma situação de violência digital, a primeira orientação é preservar as provas. A vítima deve salvar prints, registrar datas, horários, nomes de usuário e links dos perfis envolvidos antes de bloquear o agressor ou apagar as mensagens.
A advogada recomenda ainda que, em situações mais graves, seja feita uma ata notarial em cartório para reforçar a validade das provas e, em seguida, seja registrado um Boletim de Ocorrência. Dependendo do caso, a vítima pode procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher ou uma unidade especializada em crimes cibernéticos.
“O ideal é não entrar no jogo do agressor. O mais importante é reunir as provas e buscar os meios legais para responsabili-zação”, explica.
Denúncia fortalece proteção às vítimas
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que o aumento das denúncias pode refletir maior conscientização da população, fortalecimento da rede de proteção e mais confiança das vítimas em procurar ajuda.
A corporação orienta que mulheres em situação de violência registrem a ocorrência o quanto antes para que possam solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, quando cabíveis. A PC também recomenda apresentar mensagens, fotos, vídeos, áudios e outros elementos que possam auxiliar nas investigações.
Em casos de flagrante ou risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Fonte: www.hojeemdia.com.br - Bernardo Haddad Foto: (Pressfoto /Freepik) - 20 de Julho de 2026
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